UFOPA transforma resíduo do açaí em tecnologia patenteada com potencial para a construção civil
Da floresta para a inovação: um resíduo do manejo do açaí transformado em tecnologia.2 de julho de 2026, às 14h06 - Tempo de leitura aproximado: 2 minutos

A Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA) conquistou uma nova carta-patente concedida pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) para a invenção “Painéis de Caule do Açaizeiro (Euterpe sp.)”, uma tecnologia que transforma o caule excedente do açaizeiro em um material de alta resistência, com potencial de aplicação na construção civil, na indústria moveleira e na fabricação de diversos produtos.
A patente foi concedida em 16 de junho de 2026 e possui validade de 20 anos. A tecnologia foi desenvolvida pelos docentes e pesquisadores Eng. Agrônomo João Thiago Rodrigues de Sousa e Victor Hugo Pereira Moutinho, ambos da UFOPA, e pelo Eng. Florestal Bruno Monteiro Balboni, docente da Universidade de São Paulo (USP).
“Esta é uma carta-patente para painéis produzidos a partir do caule do açaizeiro. É algo único e, por isso, considerado inovador, inédito e dotado de atividade inventiva. É fruto do trabalho de três docentes, sendo dois engenheiros — um agrônomo e um florestal — e representa uma importante conquista para o estado do Pará, já que o Amazonas possui uma patente voltada ao aproveitamento do caroço do açaí”, destacou o docente e pesquisador João Thiago Rodrigues de Sousa.

Valor científico, ambiental e socioeconômico para a Amazônia
O painel é produzido a partir do processamento e da colagem do caule do açaizeiro, um resíduo proveniente do manejo dos açaizais. Em vez de permanecer acumulado nas áreas de extrativismo, esse material passa a ser reaproveitado na fabricação de produtos com características semelhantes às da madeira, graças às suas propriedades físicas e mecânicas.
Além do elevado potencial estético e tecnológico, a inovação contribui para o aproveitamento sustentável dos recursos naturais e pode gerar novas oportunidades de renda para as famílias que vivem do extrativismo do açaí na Amazônia.
O material foi apresentado no estande do CREA-PA durante a Green Zone da COP30, realizada em 2025, em Belém, e também na XVII Feira da Indústria do Pará (FIPA) 2026, ampliando sua visibilidade junto a instituições, pesquisadores e potenciais parceiros do setor produtivo.
O CREA-PA parabeniza os pesquisadores e a UFOPA pela conquista da nova patente. A Engenharia, a Agronomia e as Geociências desempenham papel fundamental no desenvolvimento de soluções científicas e tecnológicas voltadas aos desafios amazônicos, fortalecendo a inovação, a sustentabilidade e a valorização do conhecimento produzido na região.
Texto: André Arnaud (ASCOM CREA-PA).
Fotos: Acervo dos pesquisadores.


