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Acesso em 15/10/2026 às 19h53.

Dia dos Professores: CREA-PA celebra quem inspira e transforma gerações

Hoje é dia de celebrar aqueles que transformam conhecimento em futuro.

15 de outubro de 2026, às 13h52 - Tempo de leitura aproximado: 5 minutos

Mais do que uma comemoração, o Dia do Professor é um convite à reflexão sobre o compromisso que cada profissional da engenharia tem com o conhecimento e com a formação de novas gerações.

O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Pará (CREA-PA), reconhece e homenageia engenheiros e professores que inspiram gerações de engenheiros, agrônomos e geocientistas, profissionais que constroem, cultivam e cuidam do desenvolvimento do nosso Pará e do Brasil.

A Assessoria de Comunicação do CREA-PA entrevistou professores e especialistas que atuam em diferentes áreas das engenharias, que compartilham seu tempo em pesquisa e na sala de aula.

ASCOM CREA-PA – O que levou a senhora a escolher a Engenharia Florestal e, mais tarde, à docência?

Engª. Florestal, Brenda Rúbia, professora da Unama Campus Santarém – Costumo falar que a Engenharia Florestal me escolheu, pois na época eu havia passado além da Engenharia Florestal mas também em Engenharia Química. E a docência foi naturalmente sendo inserida na minha vida através das aulas particulares que eu dava, para ajudar a custear as despesas durante a graduação, depois veio a monitoria acadêmica e após formada as oportunidades foram surgindo, entre cursos técnicos e ensino superior, no qual prevaleço até hoje.

ASCOM CREA-PA – Como é equilibrar o trabalho de pesquisa científica (no laboratório) com as aulas em sala de aula?

Engª. Florestal, Brenda Rúbia – É um grande desafio, tanto pelos desafios das diversidades que estamos lidando no meio acadêmico. Integrar a ciência, sua aplicabilidade e sua fundamentação torna a docência mágica e encantadora, apesar de cansativa, não tem como negar.

ASCOM CREA-PA – Qual foi a situação mais engraçada ou inusitada que você já vivenciou com alunos durante uma aula de campo?
Engª. Florestal, Brenda Rúbia – Foram inúmeras, que guardo com muito carinho e gratidão, mas por acreditar na integração na turma ser fundamental para um bom convívio, guardo com muito carinho os lanches coletivos em especial de uma turma que tínhamos aulas aos sábados, e os lanches se tornaram tradicionais, além de um recente convite para ser paraninfa de uma turma. São momentos muito especiais na minha trajetória na docência.



O Eng. Sanitarista, Rodrigo Rodrigues, professor na Universidade Federal do Pará (UFPA) Belém, contou sobre como é a sua rotina na sala de aula.

ASCOM CREA-PA – Como você busca inspirar seus alunos a enxergarem além das fórmulas e verem o impacto social da profissão?
Eng. Sanitarista, Rodrigo Rodrigues – Eu sempre procuro mostrar aos meus alunos que a engenharia vai muito além dos cálculos e dos projetos. O nosso trabalho tem impacto direto na vida das pessoas, e nem sempre esse impacto é positivo. Tudo depende das decisões que tomamos.
Quando estamos dimensionando uma rede de esgoto, por exemplo, não estamos pensando apenas em tubulações. Estamos falando de saúde, dignidade e qualidade de vida. Quando projetamos um sistema de drenagem, estamos também ajudando a evitar que famílias percam seus bens durante uma grande chuva.
Gosto de trazer para a sala de aula experiências que vivo em pesquisas e projetos, principalmente em comunidades que enfrentam problemas de infraestrutura e saneamento. Acho importante que os alunos conheçam essa realidade antes de entrar no mercado de trabalho. A ideia é formar bons engenheiros, mas também profissionais que entendam a responsabilidade que têm com a sociedade.

ASCOM CREA-PA – Qual é o maior desafio em dividir o tempo entre o mercado, a pesquisa em engenharia e a rotina de preparar aulas e corrigir trabalhos?
Eng. Sanitarista, Rodrigo Rodrigues – Acho que o maior desafio é conseguir dar a atenção necessária a tudo. A engenharia exige atualização, a pesquisa exige dedicação e à docência envolve muito mais do que estar em sala de aula. Mas uma atividade também ajuda a outra. Minha experiência com projetos e pesquisas me permite trazer situações reais para as aulas. E os alunos, com suas perguntas e diferentes maneiras de pensar, também contribuem muito para o meu aprendizado.
Tem uma coisa sobre a qual sempre reflito: nós, engenheiros, somos formados para ser engenheiros, não necessariamente professores. O mestrado e o doutorado nos preparam muito para a pesquisa, mas aprender a ensinar é algo que vamos construindo com o tempo. Eu tento seguir os exemplos dos bons professores que tive ao longo da vida. E também procuro aprender com meus alunos, porque acredito que ensinar é uma troca. Então, apesar da correria, vejo tudo isso como parte da formação. Continuo aprendendo a ser professor todos os dias.

ASCOM CREA-PA – O saneamento é uma área vital para a saúde pública. Como é a responsabilidade de formar os profissionais que vão cuidar da água, do esgoto e dos resíduos do nosso país?
Eng. Sanitarista, Rodrigo Rodrigues – É uma responsabilidade muito grande, principalmente quando pensamos na quantidade de pessoas que ainda vivem sem acesso adequado ao saneamento básico. Aqui na Amazônia, essa realidade é ainda mais desafiadora. Temos comunidades ribeirinhas, áreas de várzea, bairros que alagam frequentemente e famílias que convivem com esgoto a céu aberto.
Por isso, sempre digo que não basta saber fazer um projeto ou dimensionar um sistema. É preciso conhecer a realidade das pessoas e entender que nem sempre a solução que funciona em um lugar vai funcionar em outro. E isso não diminui a importância do conhecimento técnico. Pelo contrário. Precisamos formar profissionais muito bem preparados, porque um erro de engenharia pode comprometer a saúde das pessoas e desperdiçar recursos que já são tão limitados.
Como professor de uma universidade pública, também acredito que temos o compromisso de devolver à sociedade aquilo que recebemos por meio da educação, da pesquisa e do investimento público. No fim das contas, quero que meus alunos saiam da universidade sabendo que o trabalho deles não é apenas construir sistemas de saneamento, mas ajudar a melhorar a vida das pessoas. Esse é o diferencia da engenharia sanitária e ambiental. Aprendi isso com meus melhores professores e busco passar adiante.

 

O CREA-PA busca refletir o legado dos professores, promovendo iniciativas que estimulem o aprendizado, o compartilhamento de experiências e a construção de um futuro mais humano e sustentável.

Texto: André Arnaud (ASCOM CREA-PA).
Fotos: Arquivo Pessoal.